07/11/2013 05:58 - O Globo
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RIO - Levantamento inédito, divulgado nesta quarta-feira
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que a maior
parte das favelas é plana e as vias de circulação predominantes são ruas e não
becos. Com base em informações do Censo 2010, o instituto fez, pela primeira
vez, um raio-x sobre onde estão situadas as comunidades brasileiras.
O IBGE tabulou os dados de duas maneiras. Em uma delas, se
levadas em conta apenas as características topográficas, 52,2% dos domicílios
em favelas estavam em terreno plano, 26,8% e, área de declive moderado e 20,7%
em declive acentuado.
Na outra forma de tabulação, o instituto verificou a
característica predominante das comunidades, levando em conta sua localização.
Se a favela está às margens de um rio, por exemplo, essa é sua peculiaridade
mais forte e não se ela está em terreno plano ou não. Mas, quando a comunidade
não tem como característica nenhum dos itens listados pelo IBGE, foi atribuída
a ela apenas a informação de estar em terreno plano, em encosta ou colina
suave.
Desta forma, a maior parte (40,2%) não tem nenhuma outra
característica diferencial e fica em terreno plano e 19,2% ficavam em encosta.
A característica diferencial mais identificada foi de favelas que ficavam nas
margens de rios, córregos, lagos e lagoas: 12,5%. As margens de rios são Área
de Preservação Permanente (APP). Sendo assim, deveriam ser reservada, sem
presença de edificações.
O IBGE afirma que muitas favelas hoje situadas em "terra
firme” e que estão nas imediações de rios podem ter sido, em algum momento,
áreas de palafitas. São os casos da Região da Maré, no Rio, e da Região dos
Alagados, em Salvador.
A ocupação de áreas de lixão, aterros sanitários ou outras
áreas contaminadas também foi alvo da pesquisa. Segundo os dados, pouco mais de
11 mil domicílios estão localizados em favelas nesse tipo de terreno. Assim
como a ocupação sobre aterros sanitários, foram identificadas outras situações
de ocupação em áreas em que o parcelamento do solo é proibido. É o caso das
faixas de domínio de rodovias, ferrovias, gasodutos ou oleodutos ou de linhas
de transmissão de alta tensão.
O instituto analisou ainda a ocupação em faixas de domínio
de ferrovias e rodovias, proibida por representar risco às pessoas, mas também
porque é prevista uma margem não ocupada que permita a extensão das atividades
dessas vias de transporte, caso necessário. Na Região Metropolitana do Rio
estavam a maior parte de domicílios em áreas predominantemente em faixas de
domínio de ferrovias (7.328) e faixa de domínio de rodovias (11.909).
A pesquisa demonstrou ainda que havia em 2010 quase 24 mil
domicílios de favelas localizados em áreas de preservação ambiental, as
chamadas Unidades de Conservação. A maioria está em São Paulo.
O IBGE também verificou quais eram as vias de circulação
predominantes entre os domicílios e verificou que a maior incidência era de
ruas (51,8%), seguido por beco/travessa (39,7%).
Verticalização das
favelas é maior no Sudeste e Nordeste
A pesquisa verificou o processo de verticalização das
favelas e constatou que esse fenômeno é maior no Sudeste, onde 53% dos imóveis
têm dois ou mais pavimentos, e no Nordeste, região na qual esse percentual é de
29%. São essas regiões também que apresentam menor espaçamento entre uma casa e
outra.
A verticalização e o baixo ou nenhum espaçamento entre os
domicílios são características associadas à escassez e ao preço do solo urbano.
O IBGE constatou que áreas mais nobres da cidade e com melhor oferta de
trabalho e serviços públicos possuirão maior valor de solo, inclusive nas
favelas. Por essa razão, há uma tendência de que as comunidades situadas nessas
áreas sejam mais densas, o que se reflete espacialmente em domicílios mais
verticalizados e com menor espaçamento entre si.
- Isso torna as favelas diferentes umas das outras. Se você tem
uma comunidade com mais becos do que a outra, é necessário uma maior
intervenção do poder público - afirma Cláudio Stenner, da Coordenação de
Geografia da Direitoria de Geociências do IBGE.
Os dados dessa parte da pesquisa levam em conta 323
municípios onde o IBGE identificou a existência de aglomeradores subnormais,
que, na linguagem do IBGE é um conjunto constituído de, no mínimo, 51 unidades
habitacionais (barracos ou casas), carente de serviços públicos essenciais e
que ocupe ou tenha ocupado terreno de propriedade alheia, estando dispostas, em
geral, de forma desordenada.
Em 2010, o Brasil tinha 6.329 favelas identificadas onde havia 3,2 milhões de domicílios.