07/11/2013 06:05 - O Globo
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tem mais de 11 milhões de favelados, revela IBGE
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RIO - Se em indicadores de renda, escolaridade e trabalho,
dados comprovam que existe um abismo entre moradores de favelas e de demais
áreas de seus municípios, no consumo, as duas realidades parecem estar mais
próximas. Dados divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE com base no Censo de
2010 sobre os aglomerados subnormais, definição para as favelas, aponta que, em
relação ao acesso a determinados bens, como TV e geladeiras, o acesso é
semelhante. No país, 97,9% dos domicílios fora de favelas tinham geladeiras em
2010. Em favelas, o percentual não é muito diferente: 95,1% dos domicílios.
Para TVs, a distância também é muito pequena. Ao todo, 96,7% dos domicílios em
áreas favelizadas têm TV, enquanto que nos demais lares, esse percentual é de
98,2%.
No caso de microcomputador, o abismo continua grande, aponta
a pesquisa. O microcomputador está presente em 27,8% dos domicílios localizados
em favelas de todo o país. Em 20,2%, há acesso à internet. Nas demais áreas,
48% dos domicílios em municípios têm acesso à rede via computador.
Os dados fazem parte de uma amostra coletada em 89
municípios nos quais foram identificadas áreas em que não havia posse de terra,
em que havia precariedade de serviços públicos em todo o Brasil.
Entre os dez municípios com maior percentual de geladeira do
país nessa comparação está a área que abrange a favela de Blumenau. Ela é a
nona com maior cobertura: 99,30%. A primeira é Florianópolis, em área não
favelizada, em que as geladeiras estão em 99,54%. Para TVs, o panorama é
parecido. Santos, nas áreas fora de favela, é a campeã em disseminação de TVs,
com 99,39% de lares com o aparelho. Taboão da Serra (em São Paulo) é a primeira
área em aglomerados subnormais com maior percentual de TVs e não está longe:
98,73%. Apesar de mostrar esse avanço na posse de bens, Taboão da Serra ainda
tem 26,21% dos domicílios nessas áreas de aglomerado sem acesso a esgoto nem
fossa.
A pesquisa mostra ainda que os domicílios com acesso por
telefone apenas no celular estão majoritariamente em áreas favelizadas. Em
Tucuruí (PA), 79,96% dos domicílios em favelas tinham apenas o celular como
telefone. Também com percentuais altos, vinham as áreas favelizadas de Marabá e
Novo Hamburgo. Por outro lado, Santarém, no Pará, na área fora de favela, tinha
a maior quantidade de domicílios sem telefone (25,84%).